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>> Pesquisas

 

Em maio de 2000, o PALMA - Projeto de Aleitamento Materno da Pró-Reitoria Comunitária e de Extensão da PUCPR, concluiu o estudo que traçou o perfil da comunidade universitária quanto questões atuais do aleitamento materno. A pesquisa exploratória foi consumada com respostas de questões abertas e fechadas.

O estudo, resultante de uma amostra de 2078 respondentes, contemplou maior contingente de acadêmicos (96,82%), mulheres (55,39), solteiros (85,71%) e sem filhos (87,97%).

Os cursos com maior número de respondentes foram fisioterapia com 9,29% do total dos respondentes, Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo, Desenho Industrial e Engenharia da Computação.

Curiosamente participaram professores de quatro dos nove cursos de CCBS, todos os professores dos treze cursos do CCET, professores de um dos oito cursos do CTCH e nenhum professor dos seis cursos do CCJS.

Causou surpresa o pequeno percentual de respostas dos que conhecem o Projeto de Aleitamento Materno da PUCPR-PALMA ( 5,27%) que contava com treze meses na época da aplicação do questionário. Foi pequeno o percentual de respostas dos que conhecem a Declaração de Innocenti (3,05%) e a Iniciativa Hospital Amigo da Criança (7,93%). Estas políticas do aleitamento materno são, recentes, abrangentes e envolvem toda a sociedade.

A grande maioria da comunidade universitária deposita a responsabilidade do aleitamento materno sobre a mulher(32,84%). Isto confirma o conservadorismo da população em geral sobre a amamentação, sobrecarregando-a e contrariando as expectativas atuais de que a amamentação deve ser amplamente discutida por toda a sociedade –amamentar é responsabilidade de todos.

Um terço do total de respostas (30,14%) recai no valor nutritivo do leite humano, coincidindo com os estudos mundiais de que o leite humano é alimento completo para o bebê tanto em quantidade como em qualidade.

É expressivo o percentual de respostas (11,36%) relativas ao desconhecimento da orientação mundial quanto ao início e a continuidade da amamentação.

A comunidade universitária não está segura sobre o prejuízo da introdução de líquidos e outros alimentos antes do sexto mês de vida do bebê. O percentual de respostas foi muito próximo um do outro nas alternativas sim prejudica (35,97%) não prejudica (34,32%) e não sabem ( 29,70%). Apenas 37,84% das mulheres e 33,29% dos homens afirmam com segurança que líquidos e alimentos podem causar desmame precoce.

Contrariamente ao que se esperava, quanto maior o número de filhos, menor foi o número de respostas afirmativas alusivas aos malefícios dos líquidos e complementos alimentares introduzidos precocemente

É tímido o número da população acadêmica que conhece a orientação mundial de amamentar o bebê logo após o nascimento (20,12%) e continuar com a amamentação até o sexto mês sem adicionar outros alimentos (9,83%). Surpreende o elevado número dos que não sabem quais são os períodos da amamentação indicados pelo PALMA/MS/OMS/UNICEF.

Os homens da população universitária são mais seguros do que as mulheres na questão dos tabus da amamentação. já que afirmam que as crendices “peito caído” (66,34%) e “leite fraco” (73,45%) são infundamentadas e incompatíveis com a amamentação. O inverso acontece com 73,49% com a resposta referente à quantidade de leite humano. Um expressivo número de acadêmicos (78,28%) afirma que o leite é insuficiente para o bebê até o sexto mês. O resultado alerta que o leite humano não é plenamente aceito como único e insubstituível alimento do Ser Humano até o sexto mês de vida reafirma que a amamentação deve ser muito bem trabalhada e divulgada no nosso País e na universidade.

Predomina o desconhecimento dos universitários quanto às causas da interrupção permanente da amamentação: mastite – infeção da mama (75,12%), ingurgitamento mamário – peito empedrado (54,92%) e fissuras mamilares – rachaduras ( 63,13%).

Aproximadamente um terço dos universitários (36,76%) indica a massagem na mama como medida preventiva de lesões mamilares e facilitadoras da amamentação. Um pequeno número de universitários (5,6%) desconhece que cremes e hidratantes predispõem a pele a fissuras e a erosão dos mamilos com a sucção do bebê.

Surpreende o elevado número de universitários ( 61,98%) que elege o berçário como sendo o local a ser mantido o bebê logo após o nascimento até o dia da alta hospitalar. Isto contraria as normas do Ministério da Saúde que recomenda deixar o recém nascido junto com a mãe – alojamento conjunto, durante sua permanência no hospital.

Para os estudiosos no assunto, o desmame precoce acontece principalmente, devido a introdução de alimentos complementares, antes do sexto mês ou ao uso de bicos e chupetas, no período da amamentação. Porém, para os respondentes, o maior percentual de respostas, por ordem de importância foi: primeiro lugar mastite com 36,03% do total de respondentes; segundo lugar fissura mamilar com 35,46% e só um terceiro e quarto lugares apareceram as causas complementos alimentares com 24,28% e bicos e chupetas com 20,82%.

As características dos respondentes, sem muita experiência pratica e teórica (solteiros, jovens e sem filhos) reitera a necessidade de dar continuidade às atividades do PALMA com disseminação de informações e desencadeamento de ações.. Inspirou propostas para criar uma metodologia modificadora de tal situação. Quando concretizadas, transformarão a PUCPR, de forma inédita, em Universidade Amiga da Amamentação.

PROPOSTAS

O estudo exploratório representa a primeira etapa do magno objetivo transformar a PUCPR em Universidade Amiga da Amamentação (UNIVAMA).

Revelou que a comunidade universitária desconhece assuntos básicos da prática do aleitamento materno (medidas profiláticas e terapêuticas de traumatismos mamomamilares; horários e períodos de mamadas; causas do desmame precoce; inimigos e tabus da amamentação..) e da política do aleitamento materno (Portaria do Alojamento Conjunto, leis da amamentação, Iniciativa Hospital Amigo da Criança, Projeto de Aleitamento Materno -PALMA/PUCPR, direitos da mãe-bebê e deveres da sociedade..).

A riqueza de informações, advindas do estudo, além de traçar o perfil da comunidade universitária, inspirou nossas propostas modificadoras da filosofia e da cultura da amamentação.

Assim, a fase seguinte dar-se-á como proposta (processo sugestivo) da inclusão de uma metodologia direcionada às questões do aleitamento materno e que transformará a PUCPR em Universidade Amiga da Amamentação

Propomos a implementação das seguintes estratégias:

  • Envolver maciça e interdisciplinariamente os docentes e discentes em atividades universitárias que visem a defesa da nobre questão da amamentação.
  • Contemplar o tema AM no Currículo de todos os cursos ofertados pela PUCPR, Campus Curitiba.
  • Organizar um espaço para as acadêmicas e as professoras da PUCPR- Campus Curitiba poderem amamentar os seus bebês, nos intervalos das aulas - Humanizar a amamentação.
  • Sedimentar e fortalecer o recém fundado grupo de multiplicadores interdisciplinares do AM “AMIGOS DO PALMA”.
  • Estudar o conhecimento da comunidade universitária do Campus São José dos Pinhais, no primeiro semestre de 2001.
  • Implementar o Marketing Social, tendo como diferencial o aleitamento materno: produzir, reproduzir e divulgar materiais educativos; promover intercâmbio técnico-cultural.